POR LEANDRO MURAD
Hollywood
Cartaz A Montanha dos Sete Abutres
A MONTANHA DOS SETE ABUTRES
Ace in the Hole
Billy Wilder - 1951

Título original: “Ace in a Hole”. Ano: 1951. Direção: Billy Wilder. Título alternativo: “A Montanha dos 7 Abutres”; “The Big Carnival”. Roteiro: Billy Wilder, Lesser Samuels, Walter Newman, Victor Desny. Elenco: Kirk Douglas, Jan Sterling, Robert Arthur, Porter Hall, Frank Cady, Richard Benedict, Ray Teal, Lewis Martin, John Berkes, Frances Dominguez, Geraldine Hall. País: EUA. Produção: Paramount Pictures, Billy Wilder. Fotografia: Charles Lang. Música: Hugo Friedhofer.

Sinopse: O repórter decadente Chuck Tatum (Douglas) encontra-se estagnado em um jornal provinciano. Ele já havia trabalhado antes em vários grandes jornais, mas sempre era demitido por mau comportamento. Agora, na pequena Albuquerque, ele espera o furo que faça sua carreira reascender. A grande oportunidade surge por acidente: um homem (Benedict) está soterrado em um sítio arqueológico na região. Eis aí uma história que atrairá a atenção de todo o país. Porém, se o resgate ocorrer rápido demais, não se poderá extrair dela todo seu lucro…

Uma história, é isso que o público quer. Se possível, uma história com drama e humanidade. A saga de um indivíduo, sua família, seu amor, muito sofrimento e um final feliz. Emoção e sabor que satisfaçam os sentidos do Sr. e da Sra. América. Hollywood sabia disso, e o inescrupuloso jornalista vivido explosivamente por Kirk Douglas também. Tendo começado como vendedor de jornal, ele sabia que notícia ruim é que vendia. E é isso que ele entrega, às custas da verdade e de sua própria alma. A jornada amoral de Tatum prende o espectador, que segura sua mão rumo ao abismo, sob o olhar condenatório do editor provinciano que ousou ser ético (Porter Hall). Billy Wilder também ousou, ao entregar uma história amarga. Uma história que o público certamente não queria assistir, mas precisava. A reflexão dela decorrente segue benvinda, pois, se o jornalismo impresso é mera sombra do que era no século XX, o sensacionalismo e a manipulação da verdade continuam a nos manter entretidos, distraídos, afundados no buraco.

111 min.