Título original: “Pierrot le Fou”. Ano: 1965. Direção: Jean-Luc Godard. Roteiro: Jean-Luc Godard, Rémo Forlani, Lionel White (livro “Obsession”). Elenco: Jean-Paul Belmondo, Anna Karina, Graziella Galvani, Georges Staquet, Dirk Sanders, Roger Dutoit, Krista Nell, Samuel Fuller, Raymond Devos, Hans Meyer. País: França, Itália. Produção: Films Georges de Beauregard, Rome Paris Films, Société Nouvelle de Cinématographie (SNC), Dino de Laurentiis Cinematografica, Georges de Beauregard, Dino De Laurentiis. Fotografia: Raoul Coutard. Música: Antoine Duhamel.
Sinopse: Dois amantes (Karina e Belmondo) saem pela estrada sem destino: ele, para longe de sua vida enfadonha; ela, fugindo de perigosos gângsteres internacionais que passam a persegui-los.
Em uma festa de burgueses que só falam texto de propaganda comercial, um perdido diretor americano Samuel Fuller responde à indagação do entediado herói godardiano – “o que é o cinema?”. “É como um campo de batalha” – ele diz – “Há amor, ódio, ação, violência, morte… em uma palavra: emoção”. É mais ou menos isso que Jean-Luc Godard propõe neste road movie romântico-criminal de ação, com pitadas de musical e um tantinho de aventura à Júlio Verne. “Pierrot le Fou” é, enfim, o ápice da loucura gostosa em que a filmografia do diretor vinha aos poucos se convertendo desde sua elegantemente inovadora estreia. A vida, enfim, aquilo que circunda as pessoas – no caso, as magnéticas presenças de Anna Karina e Jean-Paul Belmondo – surge na tela em cores vibrantes e na forma da mais livre aleatoriedade-arte, arte que também parece brotar em suas múltiplas expressões: pintura, música e, principalmente, literatura. Após alguns episódios dos mais oníricos, o casal ruma para o já tradicional epílogo trágico-brincante, que assume aqui sua forma mais explosiva. Delírio maior seria difícil de imaginar, ao menos até que “Weekend à Francesa” viesse, dois anos depois, encerrar desvairadamente a primeira etapa da obra de Godard – a da Nouvelle Vague –, desembocando imediatamente na segunda – a fase política (que aqui, por sinal, já se insinuava na forma de incipientes ecos do Vietnã e do mais petulante deboche da burguesia).
110 min.