Título original: “First Blood”. Ano: 1982. Direção: Ted Kotcheff. Títulos alternativos: “Rambo: Programado para Matar”; “Rambo”; “Rambo: First Blood”. Roteiro: Michael Kozoll, William Sackheim, Sylvester Stallone, David Morrell (livro “Rambo: Programado para Matar”). Elenco: Sylvester Stallone, Richard Crenna, Brian Dennehy, Bill McKinney, Jack Starrett, Michael Talbott, Chris Mulkey, John McLiam, Alf Humphreys, David Caruso. País: EUA, Canadá. Produção: Buzz Feitshans. Fotografia: Andrew Laszlo. Música: Jerry Goldsmith.
Sinopse: Em uma cidade do interior, andarilho (Stallone) é preso por vadiagem e resistência à prisão. Ao sofrer inúmeros abusos por parte dos policiais, ele revive os traumas adquiridos no Vietnã, fugindo após explosão de fúria que deixa uma dezena de guardas nocauteados. Em resposta, o xerife local (Dennehy) está disposto a capturá-lo, nem que tenha de empreender uma guerra particular.
É certo que este filme definiu o cinema de ação como gênero independente. Muito acima disso, porém, o mérito da obra está em sua contundente crítica política, verdadeira essência da história original de David Morrell, publicada como livro em 1972. Após ser transformado em máquina e programado para matar em terra estrangeira, o ex-combatente volta para casa sem achar seu lugar no mundo. As autoridades tacanhas da América profunda tampouco têm ideia de como lidar com ele. A violência daí decorrente é nada mais que o retorno, para dentro do território dos EUA, do horror que essa mesma nação envia ao resto do mundo com suas guerras imperialistas. E, após muito barulho, somos lembrados de que há também um ser humano sufocado por baixo dos músculos, que, despido de sua violência, dá voz a um contingente de soldados que foram também vítimas de um episódio trágico da História. Ironicamente, com o sucesso de “First Blood” vieram continuações, brinquedos, lancheiras e desenho animado que ressignificaram a figura de Rambo/Stallone como herói e campeão da liberdade para quem assim o comprasse. Ao assistir este primeiro “Rambo”, não restam dúvidas de que liberdade é algo que o personagem nunca teve.
93 min.