Título original: “A Rainha Diaba”. Ano: 1974. Direção: Antonio Carlos da Fontoura. Roteiro: Antônio Carlos da Fontoura, Plínio Marcos. Elenco: Milton Gonçalves, Odete Lara, Stepan Nercessian, Nelson Xavier, Yara Cortes, Wilson Grey, Lutero Luiz, Edgar Gurgel Aranha, Geraldo Sobreira, Kim Negro, Haroldo de Oliveira, Perfeito Fortuna, Procópio Mariano, Zezé Motta. País: Brasil. Produção: RF Farias, Lanterna Mágica, Canto Claro Produções Artísticas, Filmes De Lírio, Ventania Filmes, Roberto Farias. Fotografia: José Medeiros. Música: Guilherme Magalhães Vaz.
Sinopse: Diaba (Gonçalves) comanda um império de bocas de fumo no Rio de Janeiro. Quando um de seus protegidos (Aranha) se encontra sob ameaça de prisão, ela manda outro criminoso (Xavier) recrutar o bode expiatório (Nercessian) que deverá ser entregue à polícia em seu lugar.
Em meio ao conservadorismo repressor dos anos 70, o público brasileiro médio tinha no cinema doméstico uma janela para vislumbrar a marginalidade que lhe causava temor e fascínio. Nesse contexto, o diretor Antonio Carlos da Fontoura concebeu todo um universo à margem da lei e da norma sexual nesta brilhante mistura de cores berrantes e vermelho-sangue (muito antes de Almodóvar e Tarantino). A atuação de Milton Gonçalves no papel-título é mais que notória, e merece todas as honras, indo da delicadeza à fúria assassina em segundos. Mas a história dá igual espaço para outros três grandes personagens/atuações: o ardiloso e traiçoeiro Catitu (Nelson Xavier), a maltratada Isa (Odete Lara) e o jovem cafajeste e burro Bereco (Stepan Nercessian). Contando ainda com um elenco de coadjuvantes de luxo e um exército de bichas setentistas, “A Rainha Diaba” é, antes de tudo, um filme de máfia. A disputa pelas bocas é o fio condutor da trama, cheia de traição, ambiguidade e tensão. A violência crescente (por vezes, repulsiva) desemboca no final surpreendente e perfeito.
100 min.