Título original: “All About Eve”. Ano: 1950. Direção: Joseph L. Mankiewicz. Roteiro: Joseph L. Mankiewicz, Mary Orr (conto “The Wisdom of Eve”). Elenco: Bette Davis, Anne Baxter, George Sanders, Celeste Holm, Gary Merrill, Hugh Marlowe, Gregory Ratoff, Thelma Ritter, Marilyn Monroe, Barbara Bates. País: EUA. Produção: 20th Century Fox, Darryl F. Zanuck. Fotografia: Milton R. Krasner. Música: Alfred Newman.
Sinopse: Em uma cerimônia de premiação teatral, os convidados relembram a ascensão da principal homenageada (Baxter), que passou em menos de um ano de fã devota a secretária de uma atriz consagrada (Davis), tornando-se depois a sua substituta e, finalmente, chegando ao estrelato.
Este drama ágil de Joseph L. Mankiewicz satiriza o meio artístico como poucos, a começar pelo deboche das pomposas premiações. Ironicamente, os merecidos 6 óscares e 14 indicações de são hoje o principal chamariz do filme que quebra todo o encanto da construção da lenda artística. É certo que aqui o objeto é o teatro, incluindo seu ar de superioridade em relação ao cinema (postura que o próprio cinema, desde aqui, assumiria em relação à tv), mas os bastidores da arte e em particular da atuação proporcionam temas muito semelhantes aos de quando Hollywood fala de si mesma (vide, por exemplo, o tétrico e ainda mais mordaz “Crepúsculo dos Deuses”, do mesmo ano). Quanto à sua história, “A Malvada” continua tão atraente e absorvente quanto em 1950, dando espaço a atuações que marcaram carreiras. Nesse sentido, Anne Baxter, ainda mais assustadora quando boa do que ao cair da máscara (uma não surpresa construída na boa medida do suspense), personifica toda traição, dissimulação e talaricagem recorrente no meio. George Sanders, o crítico cínico e destrutivo, é seu complementar e páreo em vilania. Os componentes do círculo profissional/afetivo cobiçado (Holm, Merrill e Marlowe) têm também oportunidades de brilhar, assim como, em suas curtas participações, Thelma Ritter e Marilyn Monroe. Mas acima de todos estão Bette Davis e seu gênio indomável, a ponto de, mesmo quando heroína, tomar para si, no imaginário popular, o título brasileiro referente à usurpadora Baxter.
138 min.