Título original: “Rocky”. Ano: 1976. Direção: John G. Avildsen. Roteiro: Sylvester Stallone. Elenco: Sylvester Stallone, Talia Shire, Burt Young, Carl Weathers, Burgess Meredith, Thayer David, Joe Spinell, Jimmy Gambina. País: EUA. Produção: Chartoff-Winkler Productions, Robert Chartoff, Irwin Winkler. Fotografia: James Crabe. Música: Bill Conti.
Sinopse: Um golpe publicitário leva o desconhecido lutador de bairro Rocky Balboa (Stallone) a enfrentar o campeão Apollo Creed (Weathers) pelo título mundial dos pesos pesados. Enquanto ele realiza um intenso treinamento, acompanhamos suas relações pessoais: com o treinador (Meredith), com o problemático melhor amigo (Young) e com a tímida irmã deste (Shire), a quem corteja.
É fato que a venda casada do roteiro de Sylvester Stallone com o seu protagonismo no que viria a ser um fenômeno de bilheteria alçou o ator subitamente dos papéis marginais de “capanga 2” à posição de um dos maiores astros do cinema do último quarto do século XX. É notório, também, que a vitória de “Rocky” no Óscar de 1976, em detrimento de algumas das maiores obras-primas críticas da americanidade, marca o ponto de inflexão da tendência fortemente política de Hollywood desde fins dos anos 60 para a onda escapista que predominaria na indústria na década seguinte. É sabido, ainda, que a estrutura do filme, com direção correta de Avildsen, trazendo primeiramente as dificuldades, depois a superação, na irresistível cena do treino final, ao som do soberbo tema “Gonna Fly Now”, de Bill Conti, e por fim a arrasadora luta final, geraria um padrão inesgotável para as inevitáveis sequências. É fato, por fim, que essa fórmula variaria marginalmente, levando à revanche na parte II (1979), ao auge da ação na parte III (1982), à propaganda desvairada na parte IV (1985), e daí por diante, até a recente trilogia “Creed”. Mas este primeiro filme da franquia tem mais camadas do que costumamos lembrar. Algumas de suas cenas dramáticas são antológicas. O grito de independência de Adrian para o tirano e inconveniente irmão Paulie é mais poderoso que um direto, e a breve, singela e silenciosa reconciliação do lutador com o velho Mickey contrasta lindamente com sua caótica discussão imediatamente anterior. Rocky I, por incrível que pareça, não se centra no sonho americano, caricaturado na figura de Apollo Creed (futuramente, o melhor personagem da série; aqui, espalhafatoso e marketeiro). Não é tampouco sobre chegar ao topo do mundo, mas sobre a conquista pessoal possível, sobre permanecer de pé e sobre o amor, a vitória realmente relevante deste primordial e carismático Rocky Balboa.
120 min.