Título original: “The Ten Commandments”. Ano: 1956. Direção: Cecil B. DeMille. Roteiro: Æneas MacKenzie, Jesse Lasky Jr., Jack Gariss, Fredric M. Frank, Dorothy Clarke Wilson (livro “Prince of Egypt”), J.H. Ingraham (livro “Pillar of Fire”), A.E. Southon (livro “On Eagle’s Wing”). Elenco: Charlton Heston, Yul Brynner, Anne Baxter, Edward G. Robinson, Yvonne De Carlo, Debra Paget, John Derek, Cedric Hardwicke, Nina Foch, Martha Scott, Judith Anderson, Vincent Price, John Carradine, Olive Deering, Douglass Dumbrille, Frank DeKova, Henry Wilcoxon, Eduard Franz. País: EUA. Produção: Motion Picture Associates, Cecil B. DeMille. Fotografia: Loyal Griggs. Música: Elmer Bernstein.
Sinopse: No antigo Egito dos faraós, povos estrangeiros são conquistados e usados como mão-de-obra para construção de templos e cidades. Filho de hebreus escravizados, Moisés (Heston) é criado desde bebê por uma princesa egípcia (Foch). Já adulto, ele descobre sua origem e se vê dividido entre a herança imperial e o sofrimento de seu verdadeiro povo, cuja libertação ele recebe como missão divina.
Cecil B. DeMille encerrou sua longeva carreira fazendo o que sabia de melhor: um épico produzido com grande pompa e na medida do cinema de entretenimento do século XX. Sua longa e profícua carreira, que remonta aos anos 1910 e inclui êxitos como “Rei dos Reis” (1926), “Cleópatra” (1934) e “Sansão e Dalila” (1949), foi perfeitamente exemplificada neste último filme: civilizações antigas exibidas como grande espetáculo, elenco estelar, milhares de figurantes, cenários e figurinos vistosos, cores inebriantes e diversão garantida. Sim, garantida ainda hoje, com direito ao acréscimo cômico dos efeitos datados, extravagâncias narrativas e dramaturgia um tom acima. Por fim, se o Velho Testamento pode ser a menina dos olhos de cristãos que se apegam ao retrocesso a despeito de Cristo, o Moisés de Charlton Heston, em contraste, revela-se um progressista. Como herói involuntário perdido no limbo entre dois mundos, ele só consegue crer em uma moral universal e em um Deus universal, pai de todos os povos e, logo, contrário a qualquer escravidão. Para assistir sem vergonha.
220 min.