Título original: “Her”. Ano: 2013. Direção: Spike Jonze. Roteiro: Spike Jonze. Elenco: Joaquin Phoenix, Amy Adams, Scarlett Johansson, Rooney Mara, Olivia Wilde, Chris Pratt, Matt Letscher. País: EUA. Produção: Annapurna Pictures, Stage 6 Films, Megan Ellison, Spike Jonze, Vincent Landay. Fotografia: Hoyte van Hoytema. Música: Arcade Fire.
Um homem (Phoenix), emocionalmente fragilizado devido à recente separação, reencontra o amor e a alegria ao interagir com um sistema operacional com voz feminina (Johansson).
É curioso lembrar que a Los Angeles futurista de Spike Jonze, quando da estreia de “Ela”, no já distante 2013, pareceu, à primeira vista, uma perspectiva otimista. Afinal, não víamos, ao redor do protagonista, o futuro sombrio tão comumente representado nas telas, mas uma vida de necessidades materiais razoavelmente supridas. Logo percebe-se, porém, que as sombras da história são as da alma, a saber, a carência imaterial que nos acompanha desde sempre e que, na falta de palavra melhor, chamamos solidão. Ainda assim, como nos melhores romances alegres e sem nenhuma artificialidade, a relação de Theodore com a robô Samantha arrebata o espectador junto ao casal da ficção. Hoje (este texto é escrito em 2026), o desconcertante desfecho da trama faz doer ainda o recentemente aguçado medo da própria obsolescência que, ainda que questionável, parece bater em nossos calcanhares com o advento da inteligência artificial generativa. Mas não seria ainda o fim, e este é o valor que faz desta uma obra perene: ao falar de amor e tecnologia, “Ela” ilustra nossa relação com a apaixonante novidade, que parece abrir as portas de um mundo fascinante para, logo em seguida, jogar-nos de volta ao árido começo. E, com alguma boa ventura, ali mesmo encontramos a essência insubstituível que, por falta de palavra melhor, chamamos humanidade.
126 min.