Título original: “Cría Cuervos”. Ano: 1976. Direção: Carlos Saura. Títulos alternativos: “Cria Corvos”, “Cría Cuervos…”. Roteiro: Carlos Saura. Elenco: Ana Torrent, Conchita Pérez, Mayte Sanchez, Geraldine Chaplin, Mónica Randall, Florinda Chico, Josefina Díaz, Cobos Germán, Héctor Alterio, Mirta Miller. País: Espanha. Produção: Elías Querejeta Producciones Cinematográficas, Olympusat, Elías Querejeta. Fotografia: Teo Escamilla.
Sinopse: A infante Ana (Torrent) vê o pai (Alterio) morrer de forma súbita, pouco tempo depois de sua mãe (Chaplin) ter também partido devido a uma doença grave. Conforme as memórias prévias da menina misturam-se à vida presente, podemos observar a relação da pequena Ana com a morte e a vida, bem como o aprendizado acerca do próprio controle ou impotência sobre ambas.
Referência do cinema espanhol, o diretor Carlos Saura calcou sua filmografia dos anos 70 em alegorias sobre a decadente política franquista de seu país. Neste “Cría Cuervos”, ápice dessa obra, o aspecto histórico e social se expressa notadamente na inconsistência temporal, mais que adequada ao regime anacrônico que comenta. Assim, a história se passa na mesma década da produção, mas que já é passado nas memórias de infância de uma Ana já adulta (Chaplin). Nessa visão, porém, a dimensão psicológica, tratada com rara sensibilidade, sobrepõe-se a qualquer outra. Medos, fantasmas, culpas e afetos permeiam as memórias de uma infância jamais idealizada, mas bela e mesmo agradável, como a lembrança de velhas dores que não se esquecem, mas não podem mais fazer mal.
105 min.