Título original: “Vivre sa Vie: Film en Douze Tableaux”. Ano: 1962. Direção: Jean-Luc Godard. Título alternativo: “Vivre sa Vie”. Roteiro: Jean-Luc Godard, Marcel Sacotte (livro “Où en Est la Prostitution”). Elenco: Anna Karina, Sady Rebbot, André S. Labarthe, Guylaine Schlumberger, Gérard Hoffman, Monique Messine, Paul Pavel, Brice Parain. País: França. Produção: Les Films de la Pléiade, Pathé Consortium Cinéma, Pierre Braunberger. Fotografia: Raoul Coutard. Música: Michel Legrand.
Sinopse: Deixando-se levar naturalmente pelas circunstâncias da vida, a jovem Nana (Karina) torna-se prostituta.
Estudo de uma alma em doze atos, “Viver a Vida” valoriza e é valorizado por Anna Karina, figura de destaque na filmografia do diretor Jean-Luc Godard e na Nouvelle Vague como um todo. Ela dá coesão a momentos tão díspares como a hipnotizante dancinha ao som da jukebox, a leitura de Edgar Allan Poe e o trágico final. Na eterna discussão moral e provavelmente inóqua em torno da prostituição, é sua fala que não nos deixa atribuir-lhe passividade (como em “foi levada pela vida”), pois afirma sua presumida liberdade de ação e escolha, ainda que a trama nos sugira que ela não escolhe nada de fato. Assim, tampouco conseguindo dizer que Nana decidiu ser prostituta, optamos por um caminho do meio, conforme sinopse acima. O que nos leva à noção de liberdade, à filosofia e ao texto, talvez o único ator que em Godard por vezes ganha maior importância que Karina. Aqui, ele surge nas assertivas do velho e gentil filósofo Brice Parain, remontando a outros desde Platão. Nesse décimo ato, eles dialogam com a jovem, com sua vida e com a fita em sua inteireza, convidando-nos a nelas buscar muitos mais significados possíveis.
80 min.