Título original: “Judgment at Nuremberg”. Ano: 1961. Direção: Stanley Kramer. Roteiro: Abby Mann. Elenco: Spencer Tracy, Burt Lancaster, Richard Widmark, Maximilian Schell, Marlene Dietrich, Judy Garland, Montgomery Clift, William Shatner, Werner Klemperer, Torben Meyer, Martin Brandt, Kenneth MacKenna. País: EUA. Produção: Roxlom Films Inc., Stanley Kramer. Fotografia: Ernest Laszlo. Música: Ernest Gold.
Sinopse: Dois anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, os julgamentos militares de Nuremberg buscam responsabilização pelos crimes nazistas contra a humanidade. Um magistrado provinciano dos Estados Unidos (Tracy) é designado para julgar quatro alemães (Klemperer, Meyer, Brandt) cuja atuação como operadores do Direito, durante o regime nazista, resultou em esterilizações e execuções.
Um filme em que é difícil encontrar qualquer defeito, capaz de prender a atenção do espectador de forma magnética por quase três horas, é, também, pelo inevitável amargor que provoca, dificilmente a obra cinematográfica que alguém mais ama assistir. Seu incômodo e importância seguem tão grandes como nos anos 60, quando lançado, ou como eram, no imediato pós-Guerra, as discussões em torno dos eventos dramatizados. Talvez sejam até maiores hoje, porque, neste confuso século XXI, é evidente a então nada óbvia assertiva da obra: não está ali em julgamento somente um grupo de juízes e promotores, ou mesmo o povo alemão, mas toda a humanidade, capaz de gerar, em suas circunstanciais conveniências, máquinas de mal absoluto. No mais, um elenco formidável, uma direção segura e orientada aos excelentes texto e atuações, uma discussão única sobre Direito e um retrato da própria civilização no momento em que, ferida de morte, tentava se reerguer, fazem de “Julgamento de Nuremberg” um dos melhores e mais importantes filmes sobre o tema que talvez mais reflexão tenha gerado no cinema.
179 min.