Filme Político
SETE DIAS EM MAIO
Seven Days in May
John Frankenheimer - 1964

Título original: “Seven Days in May”. Ano: 1964. Direção: John Frankenheimer. Roteiro: Rod Serling, Fletcher Knebel (livro “Sete Dias em Maio”), Charles W. Bailey II (livro “Sete Dias em Maio”). Elenco: Burt Lancaster, Kirk Douglas, Fredric March, Ava Gardner, Edmond O’Brien, Martin Balsam, Andrew Duggan, Hugh Marlowe, Whit Bissell, George Macready, Bart Burns.País: EUA. Produção: John Frankenheimer Productions Inc., Joel Productions, Seven Arts Productions, Cayuga Productions, Edward Lewis. Fotografia: Ellsworth Fredericks. Música: Jerry Goldsmith.

Sinopse: Vendo sua popularidade derreter depois da assinatura de um tratado de desarmamento com a União Soviética, o presidente dos EUA (March) é informado por um coronel legalista (Douglas) que um grupo de comandantes militares, liderados pelo prestigiado General Scott (Lancaster), planeja sua deposição pela força. Ele agora tem apenas sete dias para organizar aliados e tentar reverter a situação, evitando o golpe.

A tensão atômica e a intensa disputa com a URSS por zonas de influência, muitas vezes com o patrocínio de golpes de estado, abalavam a confiança institucional estadunidense naqueles anos da Guerra Fria, em particular a crença na identificação do país com a democracia. Nesse contexto, Fletcher Knebel e Charles W. Bailey II imaginaram uma conspiração militar interna, no romance cuja adaptação para o cinema pelas mãos habilidosas do diretor John Frankenheimer e do roteirista Rod Serling (criador da série “Além da Imaginação”) resultou nesta obra-prima do thriller político. Nela, evidenciam-se as bases contraditórias de uma nação: o humanismo do presidente Lyman e o legalismo constitucionalista do Coronel Casey tornam-se incompatíveis com o militarismo do General Scott e o interesse de uma economia que se acostumou a ter a indústria bélica como motor. Começa então a disputa, e o filme propriamente: uma trama eletrizante em que cada movimento pode mudar a situação e o desfecho da crise política. Surgem daí grandes personagens, diálogos e atuações, com destaque para a fascinante figura de Ava Gardner e para o veterano Fredric March. Este encarna o presidente pacifista que, de uma aparente (e quase irritante) debilidade inicial, revela ao longo da trama a força que generais narcisistas e seus fascistas entusiastas desconhecem: aquela que não deriva das armas, mas de princípios e integridade. E esta, ao menos na ficção (e oxalá no coração das gerações futuras), poderá até mesmo triunfar.

118 min.