Título original: “One Battle After Another”. Ano: 2025. Direção: Paul Thomas Anderson. Roteiro: Paul Thomas Anderson, Thomas Pynchon (livro “Vineland”). Elenco: Leonardo DiCaprio, Chase Infiniti, Sean Penn, Benicio Del Toro, Teyana Taylor, Regina Hall, John Hoogenakker, Eric Schweig, Alana Haim. País: EUA. Produção: Ghoulardi Film Company, Warner Bros., Domain Entertainment, Paul Thomas Anderson, Sara Murphy, Adam Somner. Fotografia: Michael Bauman. Música: Jonny Greenwood.
Sinopse: Ex-guerrilheiro (DiCaprio) tem de voltar à ativa quando sua filha (Infinity) começa a ser perseguida por um velho coronel (Penn) e seus comandados. Um acerto de contas com o passado deverá então ocorrer.
“Eu não estou bravo. Eu não fico bravo com mais nada”. A frase é sobre a relação de um pai e sua filha, mas, vinda de de um acabado revolucionário aposentado, ganha significado mais profundo. Nas últimas décadas, os inconformistas do mundo parecem entorpecidos, seja pela embriaguez recreativa, seja pela impotência diante do aparentemente invencível poder econômico e militar estabelecido. Mas, se o fictício grupo France 75 parece deslocado da Europa dos anos 70, seu adversário na história, o militarismo fascista estadunidense, vive seu ápice neste 2025/26. Portanto, se a resistência é estilizada, a opressão mostra-se gravemente realista em seu surrealismo (!), fazendo da sintonia com o tempo presente o mérito primeiro de “Uma Batalha Após a Outra”. A partir daí, se a estética e o humor típicos do diretor Paul Thomas Anderson parecem patinar pelos primeiros 30 ou 40 minutos da fita, a espera é compensada quando nos vemos envolvidos por um thriller que só melhora até o final. O motor do enredo é o vilão de Sean Penn e seu almejado clube supremacista dos “Aventureiros do Natal”, que, asquerosamente ridículos, rendem as maiores risadas, não deixando por isso de ser assunto muito sério, como é esta era trumpista. Tudo converge para um grande final, com a linda passagem de bastão dos heróis rebeldes para a geração seguinte, que, com seus códigos, celulares e estranhezas, pode, por que não, e oxalá, vir a ser melhor que a nossa. Uma obra só é realmente revolucionária se otimista, e a esperança aqui, muito mais do que das armas – mais chamarizes de bilheteria que outra coisa – , está na na solidariedade, semente revolucionária plantada no filme na cidade-refúgio de Baktan Cross, e, na vida real, em Minneapolis e Saint Paul.
161 min.