Título original: “Cabaret”. Ano: 1972. Direção: Bob Fosse. Roteiro: Jay Presson Allen, Joe Masteroff (musical “Cabaret”), John Van Druten (peça “I Am a Camera”), Christopher Isherwood (livro “Goodbye to Brelin”). Elenco: Liza Minnelli, Michael York, Helmut Griem, Joel Grey, Fritz Wepper, Marisa Berenson. País: EUA. Produção: Allied Artists Pictures, ABC Pictures, Cy Feuer. Fotografia: Geoffrey Unsworth. Música: John Kander.
Sinopse: Alemanha, 1931. Na República de Weimar, em meio à truculenta ascensão do movimento nazista, uma cantora de cabaré (Minnelli) e um professor particular de inglês (York) desenvolvem intensa afeição mútua, logo iniciando um conturbado relacionamento.
Se são mais que notórias as cenas musicais de “Cabaret”, maior clássico de seu gênero no pós-Era de Ouro, a cativante história entre elas ainda pode surpreender o espectador desavisado. Na verdade, o diretor Bob Fosse evidencia seu talento principalmente na ligação entre as apresentações de palco e a condução da história, de modo que cada apresentação ilustra e impecavelmente amalgama-se a um arco da trama. Os dramas individuais de alguns significativos personagens revelam temas outrora tabus, tratados aqui de forma espontânea como nas melhores obras da então pujante Nova Hollywood. Esta espontaneidade é personificada especialmente pela desde então icônica Sally Bowles, de Liza Minnelli. No palco que é seu e também do ótimo mestre de cerimônias de Joel Grey, os pequenos grandes dramas humanos mantém sua força e também sua leveza. Como sabemos, tudo o que é espontâneo não tardaria a ser sufocado pelos ventos tenebrosos da História, mas esse capítulo fica para além da projeção. No cabaré da vida, seguimos divertindo-nos, ainda que sem conseguir ignorar a amarga tensão advinda do mal incontrolável que espreita e prepara seu momento, quando fará os pequenos grandes dramas humanos parecerem menores.
124 min.