Musical
OS EMBALOS DE SÁBADO À NOITE 
Saturday Night Fever
John Badham - 1977

Título original: “Saturday Night Fever”. Ano: 1977. Direção: John Badham. Roteiro: Norman Wexler, Nik Cohn (artigo “Tribal Rites of the New Saturday Night”). Elenco: John Travolta, Karen Lynn Gorney, Barry Miller, Joseph Cali, Paul Pape, Donna Pescow, Bruce , Julie Bovasso, Martin Shakar, Sam Coppola. País: EUA. Produção: Paramount Pictures, Robert Stigwood Organization (RSO), Robert Stigwood. Fotografia: Ralf D. Bode. Música: Barry Gibb, Maurice Gibb, Robin Gibb.

Sinopse: Um jovem vendedor (Travolta) escapa de sua vida banal nas noites de sábado, na discoteca, onde é o rei da pista.

É bem possível que a figura Tony Manero, em seu caminhar compassado e naipe impecável, com “Stayin’ Alive”, dos Bee Gees, tocando ao fundo, represente o ápice da estilosidade. Essa cena e os ótimos números de dança, ao melhor som da Disco setentista, garantiram a “Saturday Night Fever” seu lugar na História do cinema musical, ainda que ninguém aqui comece a cantar do nada (Travolta faria isso no ano seguinte, em “Grease”). Tendo chegado à obra pelo seu maior interesse, musical-coreográfico, descobrimos também um drama. Como “Rocky, um Lutador”, “Os Embalos de Sábado à Noite” retrata uma classe trabalhadora que, desiludida ou alienada de qualquer perspectiva coletiva, apega-se ao sonho individual. Aqui, porém, o foco é na juventude cuja infelicidade comportamental é diretamente proporcional à impecabilidade visual. A patota de Tony, sem o charme do transvio cinquentista, vai da tolice à tragédia. Chegamos a achar que o lado sem música do filme envelheceu mal, mas, depois de alguns traumas, fica evidente que não há na representação nenhum glamour. O pessimismo só não é completo porque Manero parece esboçar, por fim, uma curva ascendente de maturidade. Isso não o impede de ser, antes do final da noite, autor ou cúmplice de alguns atos escabrosos, mas ele percebe sua perniciosidade. A ignomínia, essa sim, é coletiva, um pântano que parece envolver Tony sem o isentar de culpa. Não será fácil escapar desse terreno viciado, mas acreditamos afinal que ele está disposto a tentar.

118 min.